sábado, 13 de outubro de 2012

14 de outubro de 1.977

Corínthians Campeão Paulista de 1.977, após 23 anos.








Rogério Engelmann



13 de outubro de 1.977



Data inesquecível, para muitos corinthianos, com certeza. E, talvez, para alguns pontepretanos.

Há exatos trinta e cinco anos, o Corínthians voltou a ser campeão paulista, após vinte e três anos sem conquistas, ao vencer a Ponte Preta de Campinas. Eu, corinthiano, claro, vibrei muito.

Naquela época o corinthiano era espezinhado, não tinha muito o que falar dos outros, era o “sofredor”, só chacota.

O Corínthians, porém, chegou na final contra a Ponte Preta, após uma campanha sofrida, com altos e baixos que não davam muita confiança. O título foi decidido numa melhor-de-três.

A Ponte havia vencido o Corínthians não fazia muito tempo, no fim do segundo turno do campeonato. Fui ao estádio assistir esse jogo. Ingresso comprado na hora, muito empurra-empurra, quase não consegui entrar. Mal vi o jogo, fiquei de pé num corredor, atrás de um mar de gente, garoto que era não consegui chegar na arquibancada. Jogo duríssimo, verdadeira batalha, num Pacaembú apinhado com recorde de público até hoje: inimagináveis 71.000 (setenta e uma mil pessoas!). Naquela noite a Ponte bateu o “Coringão”: 2x1.

E chegou o dia do primeiro jogo da final. Foi bom jogo, o Corínthians foi bem, mas poucos se lembram do gol de Palhinha. Após uma arrancada que até hoje faria inveja, mandou uma bomba que o Carlos, grande goleiro da Ponte que depois viria defender o Corínthians e a Seleção Brasileira, rebateu. Defesa impossível, típica do Carlos. Só que no rebote, a bola espirrada voltou para o Palhinha, que, com a cara literalmente, “cabeceou” de volta na direção do gol vazio. Final da primeira decisão: 1x0 Corínthians. Começamos bem. Grande expectativa para o segundo jogo, a festa vai ser domingo, um bom dia para ser campeão.

Num domingo inacreditável, o Estádio do Morumbi lotado, mais um recorde de público até hoje: 141.000 (cento e quarenta e uma mil pessoas), quase todos corinthianos. Nunca vi tantas bandeiras juntas. Após a festa, vem o jogo, e com ele a inacreditável vitória do heróico time da Ponte Preta. O Morumbi calado. Placar final: 2x1 Ponte Preta. Gols de Rui Rei, que também viria a defender o Corínthians tempos depois; e de Dicá, sempre nosso carrasco. E tome agonia. Não dava pra acreditar. Inacreditável mesmo, no duro.

Mas, na Noite Final, um 13 de Outubro brumoso, os 86.000 torcedores que estavam no Morumbi e os milhões de corinthianos de todo Brasil viram o time do coração voltar a ganhar um título paulista, após 23 anos. Num gol prá lá de chorado, Basílio, camisa 8, redimiu a Nação Alvinegra aos 37min do segundo tempo. Poderia ser gol de Vaguinho, que mandou uma bomba no travessão, ou de Wladimir de cabeça, que o zagueiro da Ponte Preta tirou em cima da linha. Sobrou para Basílio, que fez um a zero. Final de jogo: 1x0 Corínthians. Um a zero. Um a zero! Campeão! Loucura geral.

A torcida, invadiu o campo, aos milhares. A rede do gol do título foi arrancada e seus pedaços viraram relíquias, sagradas. Depois derrubaram a trave. Depois a outra. Muitos em prantos, outros atravessando o campo de joelhos, enrolados em bandeiras. A polícia não deu conta.

Diz a lenda (talvez seja apenas estória...ou não...) que o Basílio teria saído do Morumbi pela saída de público, após pular do campo para a geral, dada a impossibilidade de voltar aos vestiários. E foi-se embora pra casa a pé, sem camisa, aquela número 8 listrada, sagrada e perdida na confusão, alguém levou. Mas ia ainda de calção, meião e chuteiras, flutuando, em estado de graça. De madrugada, já longe do estádio, torcedores passando de carro o teriam reconhecido na rua e lhe dado carona.

Não sei da veracidade disso, mas não duvidaria não...

Tanto Vaguinho como Wladimir poderiam ter marcado. Tinham as credenciais junto à torcida, são ídolos até hoje. Wladimir, ídolo maior até. Mas a bola sobrou para o discreto Basílio, que encheu o pé com vontade. Com fé.

Ungido.

Na noite da decisão da Copa Libertadores, agora em 2012, senti, saudoso, o mesmo clima da decisão do longínquo campeonato paulista de 1977.
Num Pacaembú de exatos 39.600 assentos numerados, a barulhenta mas comportada torcida assistiu a conquista numa noite também histórica. Houve choro, mas não houve invasão de campo.

Nosso herói de hoje, Emerson, que não se chama Emerson, fez os dois gols da vitória. Talvez não possa ser chamado de discreto. Ou ainda, de ungido. Embora seja indiscutivelmente esforçado. Comemorou muito, mas não tirou nem perdeu a camisa 11 branca, que talvez tenha virado uma relíquia particular.

Diferente do lendário Basílio de trinta e cinco anos atrás, Emerson anda de carro importado, blindado, cercado de seguranças, milionário que é. De certa forma também é predestinado. Em três anos, três títulos brasileiros seguidos, mas por três clubes diferentes. Após o título da Libertadores, quer o Mundial.
É eficiente. Frieza profissional.

E, com absoluta certeza, não pulou o alambrado, e nem foi embora pra casa a pé.

Rogério Engelmann, corinthiano.


Na imagem acima, dois corinthianos. Eu e o Léo, em 1.977.

terça-feira, 9 de outubro de 2012




Mais uma imagem rara


Captada numa tarde de sábado em 1986 no Morumbi Shopping, mostra, da esquerda para a direita, um momento de total descontração e intimidade entre o Fabinho (o Fabinho mesmo), Rogério (Eu mesmo), Ronald Reagan (o presidente dos EUA na época), João (B. Good), José Sarney (ele mesmo: Zé Ribamar, o presidente do Brasil na época), e Márcio (Márcio Japa).

Além de nós tinha mais gente da Turma, não me lembro. Era muito comum irmos aos Shoppings Morumbi e Ibirapuera nessa época. Além das lojas Wi-Fi Discos, Breno Rossi, Museu do Disco e Bruno Blois, no Shopping Morumbi tinha a pista de patinação no gelo onde deslizávamos de vez em quando. Me lembro de um dia em particular, em 1986, dia de jogo do Brasil na Copa. Fomos ficando e estávamos na pista bem na hora do jogo. O shopping ficou deserto, a pista idem. Só nós na pista.

Quatro anos depois, estavámos eu e minha cara-metade no Parque do Ibirapuera também num dia de jogo do Brasil na Copa. Conforme chegava a hora do jogo (Brasil e Argentina, num jogo eliminatório, decisivo) o parque foi ficando deserto até sumir todo mundo. Era uma tarde linda, céu azul sem nuvens, fez um por-do-sol incrível de inverno. E sumiu todo mundo.

Passear pelo parque totalmente deserto foi muito especial, momento raro, quase impossível. 

Numa outra ocasião dessas, pude me deitar no asfalto, bem no meio do cruzamento da av. Paulista com rua Augusta, em silêncio. Absolutamente desertas, sem os carros, sem gente. E tudo o mais lá, funcionando, semáforos, luzes, anúncios, neons. As torres piscando. Surrealismo.

Sempre curti essas situações. Não perdia mais qualquer oportunidade de estar em lugares desertos, inusitados ou em momentos absolutamente improváveis. Ou ambos, intencionalmente ou não. Às vezes sozinho, às vezes não. Isso sempre me rendeu momentos incríveis, mágicos, inesquecíveis.

Verdadeiras pérolas, presentes únicos, desses que a vida nos dá, de vez em quando.

Como este, da foto acima.